A vigilância dos empregados: o abuso nos recursos informáticos

Fevereiro 2017


"Os meios de vigilância tornam-se muito acessíveis, então o controle se evolui » sublinha a Cnil.

Vídeo-vigilância, geolocalização, listagem... os meios à disposição das empresas para estar de olho nos seus empregados são numerosos, alguns aproveitam dentro da legalidade, enquanto que outros são suspeitos de abusar, como a empresa IKEA, por exemplo.

Com as novas tecnologias, « os meios de vigilância tornam-se acessíveis, e assim a vigilância se desenvolve", explica Yann Padova, secretário geral da Commission nationale de l'informatique et des libertés (Cnil) (Comissão nacional da informática e das liberdades).

Recentemente, a Comissão pode assim repreender publicamente uma sociedade de Toulouse que tinha instalado 8 câmeras.... Para 8 empregados. O responsável da Cnil precisa que a a instalação de tais dispositivos nos locais de trabalho não é, em princípio, ilegal, « É uma questão de equilíbrio », ele ressalta.

O empregador deve justificar um interesse legítimo para a instalação de tais dispositivos e notificar os trabalhadores bem como Cnil. Estas regras valem para a vídeo vigilância, a geolocalização, os crachás, os arquivos e ainda a cyber vigilância (registro das conversas, filtragem dos sites, softwares de vigilância...).

Dos empregados que se rebelam

As derivas observadas tomam diferentes formas. No caso mais recente, Ikea foi suspeita de ter utilizado o velho método de « Tricotagem », quer dizer, o recurso à detetives privados para obter informações sobre certos empregados e certos clientes.

Outros casos de arquivos de empregados, com comentários do tipo "individualista", "cabisbaixo", "caso social"... aconteceram nas empresas como Décathlon, a Macif, ou ainda uma filial de Capgemini. Os documentos foram em grande parte descobertos por acaso ou...enviados por engano para as pessoas concernentes a partir de uma manipulação informática mal feita.

Os empregadores ignoram que os trabalhadores tem o direito de solicitar o acesso as informações que lhes concernem (inclusive os comentários). Seguidamente, por desconhecimento das regras, as pessoas se escancaram (mas os trabalhadores) começam ater conhecimento de seus direitos, explica Yann Padova.

Em caso de queixa, a Cnil pode efetuar controles e impor sanções financeiras. Mas, acrescenta Yann Padova, sua `principal arma é a publicidade ». Em 2010, a empresa de apoio escolar ACadomia, arcou com uma notificação publica por um arquivo particularmente edificante sobre os professores, pais e alunos ("grande burro", guri nojento", parisiense frustrado").

Para Olivia Luzi, advogada no escritório Feral-Schuhl/Sainte-Marie, especializado nos direitos das novas tecnologias, as empresas estão cada dia mais alertadas quanto à legislação que está muito bem estruturada. Seu escritório é seguidamente solicitado por grupos que querem se "colocar em conformidade", admitindo ter constatado alguns hábitos que é "preciso mudar".

Thierry Venin, pesquisador no CNRS, sublinha, por seu lado, um fenômeno « muito mais incisivo », afirmando com os smartphones principalmente, "as pessoas são de mais em amis ligadas eletronicamente". Estas ferramentas apreciadas dos trabalhadores, que organizam às vezes sua própria vigilância via as redes sociais, podem também permitir aos empregados seguir seus deslocamentos.

Se Yann Padova reconhece que "a geolocalização explode ». ele sublinha que a Cnil estabeleceu uma regra retomada pela Tribunal de justiça, em novembro, « à saber que não se pode geo localizar trabalhadores que tem uma liberdade de organização no quadro de seu trabalho".

A comissão dispõe atualmente de 182 agentes, contra 95 em 2006. Mas o seu desenvolvimento se mostra lento em relação ao ritmo de crescimento e desenvolvimento da tecnologia.

Artigo [original] publicado por [CCM]
Tradução feita por Ana Spadari

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Publicado por ninha25. Última modificação: 26 de março de 2012 às 07:45 por ninha25.
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