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Redação dos conteúdos Web: algumas diretrizes

Julho 2015


Os usuários passam várias horas por dia na frente de uma tela para procurar informações na Internet, consultar páginas Web, ler e responder e-mails e escrever textos. Quais razões entrarão em linha de conta para decidir se um documento será em vez de ser lido na tela? Que quantidade de informação em uma página Web parecerá densa demais?

Introdução


A postagem on-line dos conteúdos precisa se adaptar à mídia específica, que é a Web? Este problema afeta tanto o conteúdo quanto a sua formatação. Isso quer dizer que são relevantes os aspectos da legibilidade (legibility) e os aspectos cognitivos relacionados à leitura de um conteúdo (o quê ler e para quê).

Esta dica é para esclarecer alguns fatores que determinam a "legibilidade" dos conteúdos Web e propor algumas orientações para a redação dos mesmos.

Como definimos a legibilidade?


O conceito de "legibilidade", para falar de leitura em tela, abrange dimensões como o tamanho dos caracteres exibidos, o espaçamento entre as letras, o espaçamento entre as palavras e as linhas, a tipografia, o comprimento das linhas, os níveis de título.

No sentido estrito do termo, trata-se de saber se um texto pode ser lido. O tamanho dos caracteres ou o fundo usado para exibir o texto permite que ele seja lido? Outro significado do termo diz respeito à facilidade de leitura associada ao caractere "agradável" ou "atrativo" de um conteúdo.

Dois conceitos para sintetizar
  • "legible" para descrever a legibilidade material e tipográfica de um texto.
  • "readability" para designar a dimensão intelectual e psicológica relacionada ao processo de compreensão de um texto lido.


Sobre este tema, a TimbalDuclaux (1985) propôs os termos "lisable/inlisable" para diferenciar o aspecto intelectual do aspecto material "legível/ilegível".

Outro aspecto diz respeito à facilidade de compreensão que pode ser determinada pelo estilo e pelo vocabulário utilizado. Além disso, um conteúdo on-line deverá ser organizado e explícito. O leitor deverá poder explorar esta estrutura e ler o conteúdo. O conteúdo da Web deverá ser fácil de ler, fácil de navegar e de fácil compreensão (Zibell, 2000).

Para finalizar, ao analisar estes aspectos, nos aproximamos da definição de usabilidade.

O que sabemos sobre o comportamento de leitura em tela?


Estudos realizados sobre a comparação da leitura de documentos apresentados em formato papel ou formato eletrônico datam dos anos 80. Nos interessamos pela velocidade de leitura, pela precisão da correção das provas e pela sua compreensão (para um visão da arte desses estudos, ver Dillon, 1992; Haas, 1992). Embora alguns estudos apresentem diferenças entre a leitura de documentos impressos e on-line, os resultados são inconclusivos e incoerentes. Os únicos resultados consistentes estão relacionadas com a velocidade de leitura. No entanto, parece que a qualidade de alguns dispositivos de exibição tendem a reduzir as diferenças (Gould e al, 1987; Muter, Latremouille, Treuner & Beam, 1982), ou até, eliminá-las (Muter & Maurutto, 1991).

Mas esta falta de resultados conclusivos seria devida à situações experimentais? Estas última representam as atividades diárias de leitura impressa e na tela? Mas que atividades são essas?

Segundo O'Hara (1996) várias formas de leitura podem ser identificadas. Haveria:
A leitura "receptiva", ou seja, uma leitura bem próxima do comportamento de escuta,
A leitura "reflexiva" que precisa de interrupções permitindo a reflexão,
O "Percurso" (skim reading), que consiste em ler rapidamente para ter uma ideia geral do conteúdo. É este tipo de leitura que permite ao leitor decidir se o texto merece uma leitura cuidadosa,

a "varredura", que consiste em percorrer o texto para determinar se uma informação está presente ou para localizar uma informação que sabemos, faz parte do texto.


Na maioria das vezes estas atividades de leitura são acompanhadas por atividades como:
  • sublinhamento,
  • tomada de notas,
  • resumo,
  • e representação gráfica.


A pergunta a ser feita, então, diz respeito às razões da leitura. Por que lemos?
  • para aprender?
  • para se informar?
  • para responder às perguntas?
  • para resumir?
  • para alimentar uma discussão?
  • para corrigir as provas?
  • para fazer? (uma receita de cozinha, montar um móvel, etc.)
  • para escrever ou modificar um documento? (o que estou fazendo agora...)
  • para criticar?
  • etc.


Fica claro que, a partir destes elementos que, dependendo dos objetivos de leitura e, em função das atividades que ela executa, a apresentação na tela não será, necessariamente, a melhor solução. É por isso que os textos mais longos e os documentos transmitidos electronicamente também são apresentados em formatos que permitem impressão. Esses objetivos de leitura e as formas de leitura permitem compreender a evolução dos "e-books" (livros eletrônicos), embora esta tendência ainda não tenha conseguido convencer os compradores...

E o que sabemos sobre a leitura na Web?


Na Web, 79% dos leitores têm uma leitura do tipo "varredura".

A leitura na tela é mais lenta em 25% em relação à leitura impressa. Além disso, os internautas não gostam da rolagem de páginas compridas. Isto significa que o conteúdo deve ser curto e bem organizado, sendo que as informações mais importantes devem aparecer no topo das páginas.
Levando estes dados em conta, aqui estão algumas recomendações.

Para mais informações:

  • Dillon, A. (1992). Reading from paper versus screens: a critical review of the empirical literature. Ergonomics, 35, 1297-1326.
  • Gould, J. D., Alfaro, L., Barnes, V., Finn, R., Grischowky, N., Minuto, A., & Salaun, J. (1987). Reading is slower from CRT displays than from paper: attempts to isolate a single variable explanation. Human Factors, 29, 269-299.
  • Haas, C. (1992). Writing technology: studies on the materiality of literacy. Mahwah, NJ: Erlbaum.
  • Henning, K. (2000, December 12). The seven qualities of highly successful Web. clickz.com.
  • Henning, K. (2001, February 6). Writing for readers who scan. clickz.com.
  • Kahn, P., & Lenk, K. (1998, november december). Principles of typography for user interface design. Interactions, V, 15-29.
  • Leulier, C., Bastien, J. M. C., & Scapin, D. L. (1998). Compilation of ergonomic guidelines for the design and evaluation of Web sites. Commerce & Interaction Report. Rocquencourt, France: Instituto Nacional de Pesquisa em Ciência de Computação e em Automática.
  • Morkes, J., & Nielsen, J. (1998). Applying writing guidelines to Web pages. In C.-M. Karat & A. Lund & J. Coutaz & J. Karat (Eds.), Proceedings of the Conference on Human Factors in Computing Systems. CHI'98 Summary (Los Angeles, CA, 18-23 April) (pp. 321-322), New York, NY, ACM.
  • Muter, P., Latremouille, S. A., Treunit, W. C., & Beam, P. (1982). Extended reading of continuous text on television screens. Human Factors, 24, 501-508.
  • Muter, P., & Maurutto, P. (1991). Reading and skimming from computer screens and books: The paperless office revisited? Behaviour and Information Technology, 10(4), 257-266.
  • Nielsen, J., Schemenaur, P. J., & Fox, J. (1998). Writing for the Web. Sun.com. Disponível no seguinte endereço: http://www.sun.com/980713/webwriting/.
  • O'Hara, K. (1996). Towards a typology of reading goals (Technical Report EPC-1996-107). Cambridge: Rank Xerox Research Centre. (PDF, 56 Ko)
  • Zibell, K. (2000). Most readability principles apply to Web-site design. Klare's "Useful Information" is useful for Web designers. ACM Journal of Computer Documentation, 24(3), 141-147.



Tradução feita por Lucia Maurity y Nouira
Para uma leitura offline, é possível baixar gratuitamente este artigo no formato PDF:
Redacao-dos-conteudos-web-algumas-diretrizes.pdf

Veja também

Artigo original publicado por Jeff. Tradução feita por pintuda. - última modificação por ninha25
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