Normas de ergonomia dos softwares

Fevereiro 2017


Sobre o tema da ergonomia, existem cerca de 35 documentos normativos, tais como: o ambiente térmico, posturas de trabalho, sinais de perigo e de informação, etc. Todos estes documentos podem ser encomendados nos sites dos organismos de normalização (você poderá encontrar mais informações sobre as
Normas, o seu processo de desenvolvimento, etc, no site http://www.iso.org/iso/.
O objetivo deste trabalho não é apresentar todos as normas disponíveis em ergonomia. Mas sim, indicar os documentos publicados, e em desenvolvimento, sobre ergonomia de softwares.


As normas do ISO


Como disse Fenoulière (2002), "A padronização, muitas vezes, só é vista pelas empresas através do seu corolário, a certificação, porta de entrada para ser reconhecida pelos seus pares, ou até, sanção necessária para aparecer no mercado".
Em geral, esta certificação se refere aos padrões relativos à gestão da qualidade (ISO 9000). Apesar da certificação da ergonomia dos softwares ainda não existir, pelo menos na França, as coisas estão progredindo. Na Alemanha, por exemplo, empresas de serviços estão começando a se especializar em certificação de ISO 9241 (ver artigo Billingsley, 1995).

Embora possamos consultar as normas em qualquer ordem, seria interessante para os iniciantes, seguir a ordem usada neste artigo. Na verdade, seria melhor começar pela norma ISO 13407, para ter uma idéia de processo de concepção centrado no operador humano e, em seguida, descobrir, utilizando a norma ISO/TR 16982, métodos para implementar este processo.
O leitor poderá então proceder às normas 9241 podendo ser aplicadas na especificação, no desenvolvimento e na avaliação dos softwares.

As normas ISO 9241 sobre aos "Requisitos ergonômicos para trabalho de escritório com terminais com telas de visualização" incluem 17 partes. As partes de 1 a 9 (que nós veremos nest dica) se referem aos equipamentos, ambientes e computadores. As partes de 10 a 17 da norma ISO 9241 falam da ergonomia do software. Em cada parte, são indicadas as normas anexas.

Todas as partes da norma ISO 9241 foram traduzidas para o francês pela AFNOR (http://www.afnor.fr). A descrição das partes de 10 a 17 da norma 9241 se baseia na coleção publicada pela AFNOR em 1999. Como indicado na coleção, as normas podem ser revistas para levar em conta as mudanças técnicas, das obras européias ou internacionais. Assim, o leitor deve verificar se um padrão ainda está em vigor, visitando o site (http://www.iso.org/iso/fr/ISOOnline.frontpage).

ISO 13407 Processo de concepção centrada no operador humano para os sistemas interativos


Esta parte apresenta recomendações sobre as atividades de concepção focado no operador humano, ao longo da vida útil dos sistemas interativos de computador. Esta norma é para as pessoas responsáveis pelo processo de concepção (gerentes de projeto) e fornece um guia das fontes de informação e padrões que tratam da abordagem focada no operador humano. Esta norma, portanto, se refere ao planejamento e à gestão do concepção focado no operador. Ela só aborda os aspectos técnicos dos fatores humanos e da ergonomia, na medida em que os gerentes de projetos precisam entender a relevância e a importância desses dados em relação ao processo de concepção como um todo.

Nela, descrevem-se as etapas de compreensão e de especificação do contexto de utilização, especificação de requisitos relacionados ao usuário e à organização, produção de soluções e avaliação. Além disso, é indicado ao gerente de projeto como avaliar a conformidade do processo de desgn, que ele implantou, à norma 13407. Assim, ele deve provar que os objetivos de usabilidade foram testados (testes), que esses testes foram realizados usando métodos válidos, dos quais um número adequado de usuários participou, que eles eram representativos dos futuros usuários e que os dados resultantes destes testes foram tratados adequadamente.

ISO/TR 16982: Métodos de usabilidade para a concepção centrada no operador humano


(Usability methods supporting human centred conception)

Trata-se de um relatório técnico (TR) e não de uma norma. Este documento apresenta uma lista de métodos ergonômicos que podem ser aplicados nas diferentes fases do ciclo de concepção, especificando suas vantagens e desvantagens. São apresentados métodos envolvendo diretamente os usuários finais (ex: observação, medida de desempenho, técnica do incidentes críticos, questionários, entrevistas, verbalizações durante a tarefa, técnicas de concepção e de avaliação participativas, etc) e métodos que não implicam diretamente os usuários finais (ex: análise de documentos, guia de estilo, rubricas, de avaliação, critérios ergonômicos,métodos formais {por exemplo, KLM, GOMS, MAD *}, etc.). Em suma, trata-se de uma apresentação de métodos que já provaram o seu ucessose no campo do concepção focado no usuário. O leitor poderá completar a leitura desta norma através da leitura do artigo do Maguire (2001), sobre o mesmo tema.

ISO 9241-10: Princípios de diálogo


Esta parte descreve os princípios gerais da ergonomia considerados importantes para a concepção e avaliação dos diálogos (adaptação à tarefa, caráter auto-descritivo, controle do usuário, conformidade às expectativas do usuário, tolerância do erro, aptidão para a individualização, facilidade de aprendizagem). Estes princípios, que podem ser aplicados na especificação, no desenvolvimento ou naavaliação dos softwares como uma diretriz geral, são independentes de qualquer tecnologia específica de diálogo. Neste documento, cada princípio é acompanhado de uma descrição com exemplos de aplicação.

ISO 9241-11: Linhas diretrizes sobre a usabilidade


Esta parte define a usabilidade e explica como identificar a informação a ser levada em conta para especificar ou avaliar a usabilidade em termos de desempenho e satisfação do usuário. Este documento fornece diretrizes para a descrição do contexto de uso do software e as medidas pertinentes sobre a usabilidade (medir a eficácia e eficiência).

ISO 9241-12 : Apresentação da informação


Esta parte fornece recomendações ergonômicas relativas ao layout e às propriedades especiais da informação apresentadas nas interfaces do usuário. As recomendações fornecidas têm por objetivo permitir ao usuário realizar tarefas de percepção eficazmente, e com êxito. Por isso, é abordada a organização da informação (localização da informação, adequação das janelas, áreas de informação, zonas de entrada/saída, grupos de informação, listas, tabelas, marcas, campos, etc.), objetos gráficos (cursores e ponteiros, etc) e técnicas de codificação da informação (codificação alfanumérica, abreviaturas dos códigos alfanuméricos, codificação gráfica, códigos de cor, marcadores, etc) . Um exemplo de processo de avaliação e de cumprimento é fornecido.

ISO 9241-13: Guia para o usuário


Esta parte fornece recomendações para orientar o usuário. As recomendações apresentadas neste capítulo dizem respeito às linhas de comando, comentários, status do sistema, gestão de erros e ajuda on-line. As recomendações apresentadas nesta parte devem facilitar a interação entre um usuário e o software, favorizando uma utilização eficaz do software, evitando uma carga de trabalho mental inútil, proporcionando aos usuários um meio de gestão de erros e prestando assistência aos usuários com diferentes níveis de competência.

ISO 9241-14: Diálogos do tipo menu


Esta parte fornece recomendações sobre os menus, ou seja, estilos de interação em que as escolhas são apresentadas aos usuários em várias formas (caixas de diálogos propondo casas a serem marcadas, botões de rádio, campos, etc). Nesta parte, inúmeras recomendações são condicionais, isto é, elas só devem ser aplicadas em contextos específicos (ex: tipo especial de usuário, de tarefas, de ambientes, de tecnologias, etc.). A aplicação destas recomendações deve obedecer a um conhecimento das tarefas e dos futuros usuários. Por isso, é abordada a estrutura dos menus, a navegação nos menus, a seleção e a execução das opções e a apresentação dos menus.

ISO 9241-15: Diálogos do tipo linguagem de comando


Esta parte fornece recomendações sobre a concepção e a avaliação das linguagens de comando. Lembre-se que neste tipo de diálogo, o usuário digita os comandos completos ou abreviados, na ordem exigida pela sintaxe da linguagem de comando e o computador os executa. Este documento aborda a estrutura e a sintaxe da linguagem de comando, a representação dos comandos (nomes, abreviações, teclas de função, etc), os aspectos relativos aos modos de entrada e saída, feedback e assistência.

ISO 9241-16: Diálogos do tipo manipulação direta


Nos diálogos de manipulação direta, os usuários executam operações, atuando sobre os objetos exibidos na tela como se estivessem manipulando entidades físicas (ex: apontar, mover, etc.). Esta parte trata das metáforas gráficas, da aparência dos objetos usados na manipulação direta, feedback, dispositivos de entrada de dados, manipulação de objetos, mouse e seleção, dimensionamento, manipulação direta das janelas e ícones, etc.

ISO 9241-17: Diálogos do tipo preenchimento de formulários


Os diálogos de preenchimento de formulários são diálogos em que o usuário preenche, seleciona as entradas ou modifica os campos indexados em um formulário ou em uma caixa de diálogo apresentada pelo sistema. As recomendações contidas neste capítulo se referem à estrutura de preenchimento de formulários, campos e marcas, as entradas (textuais alfanuméricos, com opções, controles, validações, etc), feedback e navegação no formulário.

ISO 14915: Concepção de interfaces para usuário e multimídia


Esta norma é composta de 4 partes. A primeira parte é uma introdução. Ela não inclui recomendações.
A segunda parte fornece recomendações sobre a concepção de controles e sobre a navegação (ex: controles de áudio, funções como "play", "stop", "pausa", etc).
A terceira parte, por sua vez, fornece recomendações específicas sobre a mídia e sua articulação.
Quanto à quarta parte, ainda em desenvolvimento, abrangerá as áreas de aplicações específicas, como o treinamento assistido por computador, terminais interativos, etc.

Outras normas

IUSR & CIF


Para facilitar o intercâmbio entre consultores, mas também entre consultores e universitários, sobre os dados dos testes com usuários, e para que os consumidores sejam mais bem informados sobre a qualidade ergonômica dos softwares interativos, o National Institute of Standards and Technology iniciou um projeto intitulado " the Industry Usability Reporting Project"» (IUSR http://www.nist.gov/iusr) (Scholtz & Morse, 2002). O objetivo deste projeto é proporcionar maior visibilidade à ergonomia dos softwares. Para isso, o grupo definiu um formato de apresentação (The Common Industry Format, CIF) dos testes com usuários. Este formato especifica, principalmente, os itens a serem abordados nos relatórios dos testes com usuários, a saber: as tarefas propostas para os usuários, o ambiente do teste (hardware e software), o protocolo do teste, os métodos de coleta de dados, as técnicas de análise utilizadas e os resultados da avaliação. Os membros deste projeto querem estender o CIF para as avaliações ergonômicas de sites, hardware de computador, assim como a avaliação da acessibilidade. A padronização da apresentação dos resultados dos testes com usuários deve continuar a nível internacional.

ISO/TS 16071: A acessibilidade dos softwares


Este documento é uma especificação técnica. Ainda não é um padrão. O objetivo deste trabalho é fornecer recomendações para os desenvolvedores permitindo-lhes assegurar a acessibilidade das interfaces dos usuários, ou seja, promover a eficiência e a satisfação dos usuários com necessidades específicas, devido aos déficits motores, sensoriais ou cognitivos (ex: pessoas cegas, etc). Além disso, as recomendações propostas devem reduzir o uso de ferramentas de assistência para softwares e materiais de apoio, tais como sintetizadores de voz, tabelas Braille, ou incentivar a sua utilização. Este padrão seria um complemento mais geral das recomendações da WAI (http://www.internet.gouv.fr/francais/guide/w3c/w3c.html) sobre a acessibilidade dos conteúdos da web. Ele trata da concepção de atalhos de teclado, tecnologias de assistência, das necessidades de usuários cegos, surdos, dos contratos, entrada de dados, uso de cores, etc.

Manuais


Além das normas, existem várias recomendações (<ital>guidelines </ ital>) para a concepção do IHM.

Muitas vezes, eles são conduzidos para uma plataforma particular (Apple, Gnome...), mas eles dão boas pistas.

Conclusão


Para concluir, cito novamente Fenoulière (2002) que indica que as normas podem ser utilizadas a partir de duas perspectivas diferentes: (1) como uma ajuda que pode ser dada por especialistas que registraram o que a profissão reconhece como a "regra da arte", (2) como uma referência cuja aplicação deve ser demonstrada aos organismos de certificação. Note-se que as normas são desenvolvidas por comitês profissionais da área, que determinam, consensualmente e após muitas trocas e pesquisas, as condições de qualidade aceitas pela profissão. Elas podem ser muito úteis.


Para aqueles que desejam aprofundar seus conhecimentos sobre as normas, sugerimos alguns artigos, incluindo o do Dul de Vlamming e Munnik (1996) sobre as normas ISO e CEN (Comitê Europeu de Normalização), em ergonomia e o artigo de Ricardo Holdaway, Isensee, Buie, Fox, Williams e Lund (1999) sobre a evolução dos padrões.
Em obras sobre a aplicação das normas, você poderá consultarr Gappa, Pieper e Oppermann (1997) e Gedida e Hamborg Düntsch (1999).
Finalmente, você também pode consultar os seguintes documentos sobre o desempenho da avaliação obtido com a aplicação de normas e de critérios ergonômicos e a usabilidade dos mesmos (Bastien & Scapin, 1995; Bastien, Scapin e Leulier, 1999 ).


Boa leitura...

Leitura complementar




Tradução feita por Lucia Maurity y Nouira

Veja também

Artigo original publicado por . Tradução feita por pintuda. Última modificação: 19 de março de 2012 às 07:38 por ninha25.
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