A ergonomia dos softwares interativos: uma questão de método

Dezembro 2016

Apesar de os objetivos exibidos, ou seja, a concepção de sistemas interativos úteis, fáceis e agradáveis de usar, as equipes de concepção e de desenvolvimento raramente aplicam métodos comprovados de pesquisa para guiar as suas escolhas.

Embora o método de testes com usuários seja "popular" em um número crescente de projetos (softwares ou produtos de consumo), os esforços muitas vezes dizem respeito à avaliação dos produtos acabados.

Trata-se de avaliar a conformidade dos produtos com diferentes padrões, ou guias de estilo, disponíveis. A maioria das equipes raramente aplica métodos ergonômicos em concepção e desenvolvimento e isso, apesar dos dados, indicando, por exemplo, que a análise das tarefas e da atividade dos futuros usuários, associada à avaliação iterativa em curso de desenvolvimento, aumenta substancialmente a eficácia e a aceitabilidade dos sistemas interativos.

Além disso, também foi mostrado que as avaliações informais, realizadas por designers, programadores, gerentes de marketing e até usuários que não fornecem dados suficientemente confiáveis e precisos, para aumentar a qualidade ergonômica dos sistemas interativos.

Por que a avaliação não faz, normalmente, parte do ciclo de design?

Parte da resposta reside na resistência do enquadramento que não vê bem as vantagens dos métodos ergonômicos, convencido de que os responsáveis do projeto ou os desenvolvedores sabem projetar ou desenvolver as interfaces e que eles não devem nada aos ergonomistas.

Mas outra parte da resposta vem das atitudes e comportamentos de alguns ergonomistas que solicitam recursos materiais (equipamentos, procedimentos, etc) e pessoais, que vão muito além do que é estritamente necessário para orientar o projeto. Assim sendo, a abordagem ergonômica parece ser demasiado cara em relação ao que ela pode trazer.

Mas duas outras razões podem explicar esta situação.
A primeira é devida a um fato, bem humano, que as pessoas pensam que podem explicar os determinantes dos seus próprios comportamentos. Ora, a experiência nos mostra que este não é o caso. A segunda razão é a tendência que temos de pensar que o que é verdadeiro para nós é, obrigatoriamente, para os outros e de subestimar a variabilidade de comportamento entre os indivíduos.

Em outras palavras, quando não dificuldades com um determinado software, a tendência é pensar que os outros também não vão ter, e vice-versa. No entanto, as pesquisas que demonstram a importância das diferenças individuais são inúmeras. De qualquer modo, a melhoria da qualidade ergonômica dos sistemas interativos não pode prescindir de métodos da pesquisa comportamental.

Todavia, estes métodos devem ser adaptados à área da ergonomia dos softwares. Na verdade, se as ciências do comportamento e a psicologia experimental propõem diversos planos experimentais, tais como os planejamentos fatoriais, outros métodos, mais observacionais e exploratórios poderão ser aplicados de acordo com os objetivos a serem alcançados.


Tradução feita por Lucia Maurity y Nouira

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Artigo original publicado por . Tradução feita por pintuda. Última modificação: 24 de maio de 2011 às 11:36 por pintuda.
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