Princípios básicos da exposição

Novembro 2017

Você é um adepto do modo automático da sua câmera digital, mas suas fotos ficam muito claras ou escuras? Aprenda a regular a exposição de suas fotos por meio de três ajustes simples.


O que é exposição

A exposição de uma foto é a quantidade de luz recebida pelo sensor da sua câmera digital. Se o sensor receber muita luz, a foto ficará sobre-exposta ou queimada, ou seja, com áreas muito brancas sem detalhes. Se o sensor de imagem não receber luz suficiente, a foto ficará subexposta ou mordida, com áreas pretas, também desprovidas de detalhes. O ideal é encontrar o equilíbrio para não perder os detalhes.

Configurações da exposição

Três configurações permitem lidar com a exposição de suas fotos: o tempo de exposição, a abertura do diafragma e a sensibilidade do sensor de imagem. Essas três configurações formam o que chamamos de triângulo de exposição:


O tempo de exposição

O tempo de exposição é o tempo em que o obturador da máquina (a parte que isola o sensor da luz) se abre, deixando o sensor absorver os fótons. Quanto maior o tempo de exposição, maior a absorção de luz pelo sensor e mais exposta ficará a imagem. O tempo de exposição varia entre 1/8000 de segundo (tempo muito curto, maior velocidade) e vários segundos (tempo muito longo, velocidade menor). Concretamente, podemos distinguir os tempos curtos (menos de 1/60) dos longos (mais de 1/60).

Abertura do diafragma

A sua objetiva comporta um diafragma, ou seja, uma espécie de membrana que pode ser mais ou menos fechada, deixando passar mais ou menos luz. Quanto maior a abertura do diafragma, mais a imagem ficará exposta. A abertura é expressa por um número que quanto menor, maior a abertura. O formato é do tipo f/2,8 (grande abertura de 2,8). A abertura máxima depende das objetivas, algumas têm uma abertura máxima de f/3,5, outras de f/2,8, as mais caras descendo para f/1. A abertura máxima é, muitas vezes, de 22 nas distâncias focais mínimas, e pode chegar a 38, ou mais.

Sensibilidade

A sensibilidade do sensor de imagem (expresso em ISO) é o ganho de amplificação do sinal elétrico fornecido por ele, ou seja, quanto maior a sensibilidade, maior a amplificação do sinal emitido pelo sensor e, portanto, maior a exposição da foto.


Você deve estar se perguntando por que não colocar o máximo de sensibilidade. Simplesmente, porque se o ‘bom’ sinal for amplificado, o ‘mau’ também o será. Assim, você verá o ruído aparecer nas fotos, como pixels coloridos aleatoriamente em azul, vermelho e verde nas áreas escuras, por exemplo.

A sensibilidade das câmeras atuais atinge 12800 ISO e o ruído é quase invisível até 3200 ISO. No entanto, é melhor mantê-lo o mais baixo possível: 100 ISO para um dia ensolarado; 200 para um dia nublado e até 400 ISO dentro de casa. Mas se a cena exigir não hesite em aumentar o ISO.

Resumindo estes três parâmetros

Para sobre-expor uma foto : aumente o tempo de exposição (cuidado com o desfoque), a abertura do diafragma (ou seja, diminua o número f/...) e a sensibilidade (cuidado com o ‘ruído’).

Para subexpor uma foto diminua o tempo de exposição, a abertura do diafragma (isto é, aumente o número f/...) e a sensibilidade.

Quais são as consequências na prática

Na prática, existem algumas regras a serem seguidas, porque cada uma das três configurações provoca mudanças na resolução das fotos.

Tempo de exposição e desfoque

O tempo de exposição influi no desfoque das fotos. Se o obturador ficar aberto em modo foto, um tipo de sucessão de imagens é recriado, mas em uma única imagem, e os movimentos criam halos de luz mais ou menos desfocados. No entanto, às vezes, este é o efeito desejado.

Existem três tipos de desfoque:

O borrão de movimento: causado pelos movimentos parasitários da câmera em si. Relativamente irritante, é fácil de ser evitado utilizando um tripé ou um curto tempo de exposição. Quanto maior a distância focal (teleobjetiva) mais os movimentos ficarão acentuados, portanto, menor deverá ser o tempo de exposição. Considere as seguintes fórmulas:
Tempo de exposição: 1/(distância focal *2)
sem estabilizador; 1/(distância focal) com estabilizador. Por exemplo, com uma distância focal de 100 mm, sem estabilizador, você deve tentar ter um tempo de exposição máximo de 1/(2*100): 1/200° de segundo.

Desfoque de fundo (efeito panorâmico ou de varredura): é um desfoque provocado pelo movimento do sujeito ou pelo movimento deliberado da câmera. Por exemplo, se você seguir um ciclista em movimento fazendo um movimento panorâmico, o ciclista ficará praticamente nítido, e o fundo, fora de foco: é o panning. Se a câmera estiver fixa e o sujeito deixar um rastro de luz, isto também é um panning (borrão de fundo).

Desfoque artístico: também existem desfoques artísticos, como o explozoom (tempo de exposição relativamente longo enquanto se faz zoom na foto) ou desfocagem circular (o mesmo princípio, mas a câmera gira sobre si mesma quando se tira a foto).

Concluindo, basta lembrar que um tempo de exposição curto causa um efeito congelado em todos os sujeitos em movimento e um tempo de exposição longo provoca desfoque de movimento ou de fundo.

Abertura do diafragma e profundidade de campo

Chamamos de profundidade de campo a área da imagem que ficará nítida, e o resto, desfocado. Esta profundidade de campo depende de vários critérios:

A abertura do diafragma: quanto mais aberto o diafragma, menor a profundidade de campo.

A distância focal longa: as distâncias focais longas (teleobjetivas) tendem a diminuir a profundidade de campo.

A distância de foco: quanto mais o sujeito estiver perto, menor a profundidade de campo.

Para os retratos, por exemplo, uma profundidade de campo reduzida é preferida, para que o sujeito fique nítido, mas o fundo completamente desfocado. Para isso, é preciso ter uma lente com uma grande abertura (ex: f/1,8), mas, em geral, são focos fixos muito caros. Também podemos usar um zoom para fazer um close do sujeito, para que ele pareça mais próximo.

Em resumo, uma grande abertura (número pequeno) produz uma profundidade de campo reduzida (pequena área de nitidez). Uma pequena abertura (grande número) leva a uma profundidade de campo maior (área de nitidez profunda).

Sensibilidade e ruído

Como dissemos acima, o aumento da sensibilidade ISO aumenta o ruído nas fotos. Recomenda-se manter uma sensibilidade mínima (ou seja, inferior a 400 ISO ou até 200 ISO durante um dia de sol) para minimizar o ruído ao máximo.

O que escolher

A exposição das suas fotos dependerá do tempo de exposição e da abertura do diafragma. Para um sujeito fixo, o tempo de exposição pode ser relativamente longo (1/60) e a abertura pode ser pequena. Para fixar um sujeito em movimento, você precisa de um tempo de exposição de curta duração (1/500° ou menos) e uma abertura maior do diafragma. Conclusão, se você quiser um efeito panning em suas fotos, você precisará de pouca profundidade de campo e de uma grande abertura e, consequentemente, o tempo de exposição será curto.

Maneiras de ajudar

Apenas com essas dicas, você ainda não está apto a passar do modo automático de um iniciante para o modo manual de um profissional. No entanto, existem pelo menos dois modos que nos permitem controlar melhor a exposição:

O modo de prioridade de abertura: neste modo, a abertura do diafragma é configurada através da modificação do número f/ (pequena para uma grande abertura, grande para uma pequena abertura). Assim, você administra diretamente a sua profundidade de campo e a câmera calcula o tempo de exposição adequado para obter a exposição correta, em função da sensibilidade que você definiu.

O modo de prioridade de velocidade: é o esquema inverso, ao ajustar o tempo de exposição, a câmera calcula a abertura correspondente do diafragma.

Os profissionais usarão o modo manual que permitirá ajustar as duas configurações como quiserem.

Como usar a câmera

Se apesar do uso destes modos, a foto estiver super ou subexposta, lembre-se de que, a maioria das câmeras permitem trocar a exposição de uma foto (aumentando ou diminuindo) através de um botão especial para esta função. Por exemplo, ao aumentar a exposição de um IB (índice de brilho), a câmera se encarregará de selecionar um tempo de exposição ligeiramente maior ou uma abertura ligeiramente maior, para que a imagem fique mais exposta. O inverso também é possível.

A exposição perfeita é um mito

Em contraluz

Você já tirou foto de um objeto diante de um céu claro ou um animal escondido na sombra de uma árvore ensolarada? Sua foto está um fracasso? Isso é normal. Na verdade, essa situação de contraluz é problemática porque as variações de luminosidade de um ponto para outro na cena são extremas.

É aí que a câmera mostra os seus limites: o olho humano tem uma resolução em luz muito maior do que o sensor da câmera, então, seria ingênuo querer obter na sua foto a mesma coisa do que você está vendo, porque isto ainda é impossível atualmente (exceto usando tecnologias alternativas, como o HDR).

Seu papel é obter o efeito desejado: efeito de silhueta, dando preferência para as áreas claras para destacar o contorno do sujeito/objeto ou um céu branco, bem brilhante. Lembre-se de usar as várias opções para medir a luz da sua câmera (ponderada, central, de matriz, spot etc), que estão aí para ajudar.

Impasses

Em fotografia, como em outras coisas, nem tudo é possível. Em alguns casos, raros, isso significa que você não pode tirar a foto dos seus sonhos, a menos que você use acessórios muito úteis.


Primeiro caso: em um dia com muita luminosidade, se você quiser usar um tempo de exposição longo para fazer um panning. Apesar de você definir o seu tempo de exposição, a câmera te informará que, apesar de uma sensibilidade mínima de (100 ou 80 ISO) e de uma abertura mínima (acima de f/22), a foto ficará superexposta.

Segundo caso : ainda em um dia ensolarado, você gostaria de tirar uma foto com efeito borrão, ou seja, capturar uma papoula bem nítida deixando desfocado todo o campo por trás. Para isso, configura-se uma abertura máxima e um ISO mínimo. Mas o problema é o mesmo, apesar de um tempo de exposição mínimo de 1/8000, a foto ficará superexposta e adeus ao lindo belo borrão.

Terceiro caso: em situação inversa, para fotografar um canto escuro, você aumenta a sensibilidade e abre o diafragma ao máximo. O problema é que o tempo de exposição necessário para uma exposição adequada é superior a 1/60 e você não tem um tripé à mão, portanto, fim do efeito borrão.

O caso de superexposição pode ser facilmente ajustado por um filtro neutro ou um filtro cinza variável. Estes filtros ajudam a preservar as cores da foto, mas reduzem a quantidade de luz que atravessa a lente. Desta forma, o tempo de exposição ou a abertura do diafragma podem ser aumentados. O cinza variável permite graduar a quantidade de luz que passa por ela.

Quanto ao problema de subexposição, você deverá mudar a perspectiva para algo mais luminoso ou investir em um bom flash. Para te ajudar, leia esta dica.

Foto: © Microsoft.

Veja também

Artigo original publicado por Carlos-vialfa. Tradução feita por pintuda. Última modificação: 22 de novembro de 2017 às 15:35 por pintuda.
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