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O que é QAnon, a misteriosa teoria da conspiração

Teorias da conspiração se espalham como rastilho de pólvora e é muito importante não acreditar em tudo que se lê ou ouve por aí. Uma das fontes que deram origem a muitas teorias da conspiração circulando na rede hoje em dia é o chamado QAnon, cujo epicentro são os Estados Unidos. Ele alimenta conspirações com milhares de seguidores nos cinco continentes. Nesse artigo, vamos explicar a origem do fenômeno e dar algumas dicas para evitar cair na armadilha do QAnon.




O que é QAnon?

QAnon é uma teoria da conspiração que se espalhou por todo o mundo através das redes sociais, mas que tem seu início nos Estados Unidos. A combinação de ideias desconexas e falsas ganhou força por conta do medo e incerteza provocados pela pandemia de coronavírus. Grosso modo, o QAnon é um movimento de pessoas que acreditam que o mundo é controlado por uma sociedade secreta composta por celebridades de Hollywood, bilionários pedófilos e membros do Partido Democrata, do ex-presidente estadunidense Barack Obama.

Sem provas e valendo-se de ideias fictícias que criam uma narrativa ajustada ao mundo da fantasia onde vivem seus seguidores, os promotores do QAnon sustentam que o presidente Donald Trump tem lutado em segredo para destruir essa conspiração de influenciadores e conseguir mandá-los para Guantánamo, prisão administrada pelos Estados Unidos no território de Cuba. Embora seja difícil de acreditar no que o QAnon defende, ele reuniu um grande grupo de apoiadores.

Origens do QAnon

Em 2016, quando Donald Trump e Hillary Clinton disputaram as eleições para presidente dos Estados Unidos, surgiu uma teoria da conspiração denominada Pizzagate. Em resumo, esse boato dava conta de que uma série de e-mails trocados pela equipe de Clinton que vazaram para a imprensa – algo que de fato ocorreu – revelava códigos secretos para acessar uma rede de tráfico de crianças e pedofilia em locais confidenciais, que tinham como ponto de partida uma pizzaria na cidade de Washington. A história foi amplamente divulgada em sites e blogs ligados à extrema-direita estadunidense.

À primeira vista, a história poderia parecer inofensiva e até um pouco ridícula, mas na verdade muitas pessoas acreditaram na existência dessa rede obscura e um homem chegou a ir ao restaurante na capital dos Estados Unidos e abriu fogo contra funcionários por achar que de fato crianças eram sequestradas no local. Obviamente, tudo que foi compartilhado sobre o Pizzagate é e continua sendo falso .

O QAnon é filho do Pizzagate. Ele é uma versão revista e ampliada dessa conspiração, com alguns elementos idênticos (organizações secretas pedófilas comandadas por celebridades, drogas feitas a partir de adrenocromos de crianças etc.) e outros novos, especialmente com caráter abertamente antissemita. Tudo começou em outubro de 2017 em fóruns do site 4chan, que integra o que chamamos de deep web. Um usuário apresentando-se apenas como 'Q' começou a postar uma sequência de mensagens anônimas e falsas garantindo que Hillary Clinton seria presa.

Daí vem o nome dessa compilação de mentiras: Q, nome do usuário que deu início a ela, e Anon, abreviação de 'anônimo’. A conspiração seguiu crescendo com mais de 4 mil publicações no 4chan e outras plataformas similares, como 8chan e 8kun, sobre esses supostos segredos altamente confidenciais. Milhares de pessoas têm alimentado essa história falsa, sempre informando que as evidências estão perto de ser obtidas, mas obviamente elas nunca aparecem.

Seguidores da conspiração QAnon

Seguidores do QAnon e outras teorias da conspiração estão acostumados a fazer anúncios e previsões infundadas. Para eles, fatos e comprovações não importam. Pessoas que acreditam apenas no que querem são capazes de mentir para os outros e si mesmos até o fim, sem dar o braço a torcer. Normalmente, essas pessoas adaptam suas histórias fantasiosas de tempos em tempos, sempre culpando forças ocultas pelo não cumprimento de suas previsões e profecias.

Por outro lado, apoiadores do QAnon dizem que estão sempre investigando mais e que seu objetivo é propagar "a verdade" (sempre sem provas, é claro). Para ter sucesso no compartilhamento de suas mentiras, eles em geral usam argumentos altamente emocionais e falaciosos . Nesse caso, o ponto-chave são as crianças e sua segurança. A rede se utiliza constantemente de frases de efeito e hashtags como #SaveOurChildren (Salvem Nossas Crianças).

A origem e motivação exatas do QAnon ainda não está inteiramente esclarecida, mas já se sabe que essa teoria enganou e segue enganando milhares de pessoas em todo o mundo em ramificações e versões da tese central ajustadas ao contexto de cada país ou região. Atualmente, há grupos no Facebook focados na divulgação das teorias do QAnon com mais de 100 mil participantes.

Apesar de tudo, é preciso evitar o alarmismo. O QAnon é evidentemente perigoso por induzir ações radicais como a do homem que invadiu a pizzaria em Washington e levar as pessoas a adotar posturas preconceituosas a partir da crença em teorias desse tipo. Porém, muitos desses seguidores concluem mais cedo ou mais tarde que tudo não passa de mentira. Além disso, uma pesquisa recente do Pew Research Center mostrou que 70% da população dos Estados Unidos nunca ouviu falar em QAnon e esse número tende a ser ainda maior em outros países.

Outro ponto positivo é que há muitas pessoas combatendo boatos e as redes sociais têm sido mais rígidas contra esse tipo de conteúdo. O Twitter, por exemplo, já excluiu mais de 15 mil contas dedicadas a espalhar informações sobre o QAnon. O Facebook é o ponto fora da curva, não tendo feito nada contra esse boato. Também há iniciativas como o Sleeping Giants, que busca convencer grandes marcas a remover anúncios de sites que compartilham mentiras desse tipo, estrangulando financeiramente suas operações.

Foto: © 123RF.com

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