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Algumas palavras de agradecimento nunca são demais.

Essays on Empathy: a arte em game

Os paradigmas da arte estão aí para serem revolucionados, e são o testemunho da evolução humana. Não são rejeitados simplesmente, eles provocam e seguem a evolução do homem num ciclo continuo. É assim que, nessa era tecnológica (ainda estamos nela?) a arte continua seu caminho infinito, oferecendo muitas manifestações, contradizendo fronteiras e quebrando regras. Os games não fogem à regra, sendo sim, representações artísticas, com a mesma ‘propriedade’ que qualquer outra iniciativa criativa. Essays on Empathie é um exemplo de arte feito game. É dele que vamos falar agora.

Origem do game

Fácil de entender, é bem verdade que a gente demora a assimilar coisas (realmente) originais (a não confundir com tendência)! Essays on Empathie foi desenvolvido na Ludum Dare. Mas porque indicar isso? Porque é um evento competitivo, acelerado, onde jogos eletrônicos devem ser criados rapidamente em até 48 horas, que existe desde abril de 2002. Isto quer dizer que a criatividade e o ‘savoir-faire’ precisa fluir. Isto dito, vamos ao porquê este game é arte, em toda a acepção da palavra.

Game feito arte

O formato é uma coleção de histórias, com narrativas relacionadas aos tempos atuais, construída com mecânicas originais, provocando a reflexão por empatia com o assunto. O tempo, de cada uma delas, é como nossa vida, nem vemos o tempo passar e, o pior, não dá para voltar atrás! A história se constrói linearmente, não tem retorno, não se pode pausar nem voltar: é preciso jogar do início ao fim.

Pequeno problema inicial

O que pode atrapalhar na adesão e imersão do jogo, é que os textos ainda não foram traduzidos. Enfim, esse problema, infelizmente, pode deixar de fora da experiência muita gente, e é uma pena - como na realidade (do Brasil, no que me diz respeito) quem visita galerias de artes, museus, escuta boa música e assiste bons filmes, vive com bons livros na bolsa, participa de performances ou sabem que isto tudo existe? Então, falar idioma estrangeiro, é coisa da dimensão do raro, nestas bandas.

A quem Essays on Empathy é dedicado?

Essays on Empathy é dedicada para quem está pronto a mergulhar num tipo de jogo diferente – não oferece ação nem pura diversão nem passa tempo com game. A reflexão é a primeira coisa que se deve aceitar, para jogar e, a seguinte, é conhecer o idioma inglês, pelo menos para leitura, além de gostar de arrastar o mouse. O resto depende da empatia com o assunto.

Para jogar, clique no link do Essays on Empathy, para acessar a página do Steam e obter o jogo.

Como se apresenta o Essays on Empathy

Na interface inicial do game, aparecem dez formas hexagonais, que formam um menu. Cada forma contém uma história, que emite um som de piano, ao passar o mouse sobre ela. O bacana, aqui, não é que o mouse provoca um som passando pelos hexágonos, é que se pode criar músicas! Vale a pena gastar seu tempo aí, não precisa ter pressa, deixe fluir sua veia musical ou descubra, em você, este gosto. Este é o primeiro elemento provocador da criatividade, não passe por cima dele.

Avançando, ao clicar num elemento desse menu engenhoso, se exibem duas opções. Aqui também, não queira chegar logo para a história: aprecie imagens e escute o que os desenvolvedores tem a dizer sobre a narrativa, que você está prestes a viver. A chave para conseguir imersão e se preparar para a riqueza de mecânicas da jogabilidade são descobertas aí.

A escolha das temáticas é outro aspecto estimulante, focando em situações da vida cotidiana, desde problemas de relacionamento – machismo, abuso, sócio econômico, problema de gênero até problemas mais existenciais e definitivos como a depressão e o suicídio. Não tem nada mais do que não estamos habituados a ler, escutar e vivenciar diariamente, mas vistos sob uma lente de aumento artística, resultando em situações divertidas, tristes, escabrosas, mas também utópicas e premonitórias.

Esta última temática foi a minha primeira escolhas, com Zen and the Art of Transhumanism (versão livre Zen e a arte do transumanismo). Estar dentro dessa história com a boa intensão de dar uma mãozinha à raça humana, me fez mergulhar em rápidos momentos bem existenciais. O estilo narrativo, com conceitos de base que estimulam o espírito crítico, sobre o assunto, foram, no mínimo.... mínimos, mas suficientes o bastante para esculpir módulos implantáveis em corpos humanos: to be continued, muito bom.

Só para dar mais um gostinho: a narrativa do The Bookshelf Limbo, baseada em uma situação real dos criadores, fala sobre como dar um presente. Amando livrarias, a história me pegou em cheio, muito divertimento no pouco tempo passado dentro da história. Na verdade, os desenvolvedores criaram uma coleção de quadrinhos falsos, como elementos desestabilizadores (Trolls) para que cada gamer, pudesse se divertir tendo ideias estranhas.

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